domingo, 17 de fevereiro de 2013

Concepções de um domingo qualquer.

Enfrentar os medos e encarar as pessoas de frente e de cara lavada é um ato de coragem. É colocar um ponto final na história antiga e nos estereótipos e começar uma nova, cheia de incertezas. O novo sempre assusta, mas só até se tornar velho. Depois cai na rotina e vira parte da gente. O ruim é sempre o início. O mais difícil é colocar uma pedra no passado e fingir que ele é apenas uma música do Capital Inicial que você se identifica. Difícil é fingir que ele nunca existiu. As marcas ficam e se transformam em novos medos. Os medos incomodam e aceleram as batidas do coração. Daí o coração retruca, doendo, sentindo tudo, mas não podendo dizer nada. 
Depois de todas essas concepções, eu, particularmente, decidi tentar um nova forma de viver. Sem ficar sempre na defensiva, sabe? Sem esperar demais, sem julgar demais e sem dar valor exagerado para coisas mesquinhas. Aceitar as pessoas como elas são e permitir que elas formem suas próprias opiniões sobre mim sem me preocupar com isso, me parece ser um ato democrático e libertador. Assim eu me livro de uma vez dessa mania idiota de querer agradar a todos e, muitas vezes, ser quem não sou e acabar fazendo escolhas mal-feitas. Então, eu vou ser verdadeira comigo, e quanto aos outros, bom, os outros não precisam gostar de mim para que eu seja feliz. Porque a felicidade vem de dentro. Do coração que retruca e dói, mas que sabe que está fazendo a coisa certa.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Anacrônico.


Tinha vinte anos. Era um pouco desastrada, não tinha auto-confiança e vivia sorrindo para os espelhos, treinando ser simpática. Era um pouco alta, meio magra, com rosto de adolescente de colegial. Seus irmãos a odiavam, não tinha amigos e ela nem sabia quem realmente era. Acordava às cinco da manhã todos os dias, sempre deixava tudo para última hora e não gostava de rotina, embora vivesse nela. Sua inconstância era a única coisa que era realmente sua. Seus sonhos eram as únicas colunas em que podia se apoiar, mesmo não sendo concretos. Não conseguia se encontrar em muitas das suas escolhas e tentava sempre agradar as pessoas. Julgava a felicidade mais importante que o dinheiro. Era a típica “boazinha solitária”, do qual os outros se aproximavam sempre que precisavam da sua ajuda. Seus cabelos chegavam à altura dos ombros e estavam cada dia mais frágeis, assim como seu coração. Certas manhãs era tomada por uma angústia inquietante e insistentemente sufocada. Havia perdido bons hábitos pelo caminho e costumava viver no passado. Já havia beijado vários garotos, o que hoje considerava algo fútil e vazio. Acreditava que os garotos fugiam dela, mas ela também costumava se esconder. Talvez notassem sua criancice, sua imaturidade disfarçada nas entrelinhas de palavras bonitas. Ou talvez se assustassem com seu romantismo exagerado e mania de vestir “roupas fofas”. Era frágil, isso já citei antes. Frágil e sonhadora. Perfil típico daquelas garotas que viviam com o coração partido, sofrendo por causa de amor. Mas não, sabia se desvencilhar bem de amores mal-correspondidos, embora lá no fundo, mesmo negando com todas as forças, ainda depositava um pouco de fé nessa história de príncipe encantado e cavalo branco. Já havia tido dois namorados: o primeiro não havia conseguido amar. Amara o segundo, mas seu amor parecia não ter importância para ele. Ambos duraram seis meses. Seria coincidência ou incapacidade de se dedicar e cuidar de alguém que não fosse ela mesma? Vivia a procurar uma forma de ser constante, de ser mais grata e de aceitar certas coisas. Mas tudo parecia tão complicado, não tinha graça alguma. Queria mesmo era sonhar, sair escrevendo mundo afora, ler milhares de livros, fazer um curso de inglês e trabalhar em uma biblioteca gigante. Queria ser uma pessoa melhor, que não magoasse nem decepcionasse as pessoas, mas que fosse apenas ela mesma, única e simplesmente. Mas sempre acabava magoando, partindo corações e colando de qualquer jeito. Deixando o tempo passar, e vendo seus sonhos se distanciarem, enquanto ainda continuava, imóvel, no mesmo lugar.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Hoje.


Hoje eu dei adeus aos meus sonhos, ao mesmo passo que saudei a realidade. Assumi minha verdadeira identidade e todas as fraquezas que ela trazia consigo. Hoje eu não usei corretivo para disfarçar as marcas, nem fiz-me forte para conter as lágrimas. Mostrei-me como sou, assumi meus erros, e não fugi das respostas. Hoje eu deixei de acreditar e esperar demais, abracei a solidão, joguei todas as minhas cartas, sem esperar ganhar. Enfim, depois de duas décadas, eu pude ver que aquilo que tanto espero talvez não me trará alegria nem me fará ser uma pessoa melhor. Hoje aprendi que devo lutar com as armas que possuo, não desejar as do meu oponente. Aliás, também entendi que não quero ter oponentes. Quero ser livre, de modo que a minha liberdade não roube o sonho de ninguém, nem faça alguém sofrer.  Hoje eu vi que o que vier é lucro, e eu não devo ser ingrata quando há tantas coisas bonitas acontecendo. Por fim, enxerguei que o complicado é chato, e que a vida depende da maneira como você a encara. Hoje eu sei que só posso ser aquilo que sou, e cabe às pessoas aceitar ou não. Percebi que não adianta reclamar, fazer birra, me descabelar, algumas coisas terão que acontecer e eu preciso aceitar. Mas tudo servirá para meu crescimento. Notei que o medo é um sentimento muito bobo, assim como o fato de me importar com as opiniões de algumas pessoas. Não devo ficar me preocupando demais com o dia de amanhã, e sim viver o hoje em sua plenitude. Hoje eu resolvi retrucar críticas, ofensas, palavras e sentimentos feios apenas com um sorriso. Serei eu, completa, imatura e sentimental. Mas serei eu. “E o que vier está de bom tamanho.”
quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Precisa-se de bons amigos!

Fonte da imagem: We heart it
Sinto-me e encontro-me sozinha. Espero ansiosamente que a inspiração bata à porta do meu quarto e adentre em meus pensamentos, sentimentos e coração. Só assim conseguirei preencher essa folha em branco com letras, que se unirão em palavras, que formarão frases, e que espero eu, façam algum sentido. Há muito preciso falar de mim, mesmo que ninguém escute, mesmo que as palavras soem abafadas e se percam rua afora. Outras vezes eu desejo desesperadamente que alguém me escute, entenda, me dê colo. Em outros casos eu decido não falar nada, acato o silêncio e toda a solidão que ele consegue trazer em si, e sigo. 

A verdade é que descobri-me sem amigos. Alguns poucos que eu julgava ser de verdade, me fizeram enxergar o contrário. Não me disseram isso com todas as letras, mas eu sou boa observadora e notei tudo. Essas pessoas não podem gostar de mim, porque não se interessam pelos meus textos, sentimentos, dúvidas e medos; não sabem qual minha cor e fruta preferida, e nem qual o garoto que eu gosto. Essas pessoas não confiam em mim porque não me contam seus segredos, nem deixam eu contar os meus, não sabem quem é minha escritora favorita, nem são conhecedoras dos meus sonhos mais profundos. Só encontro frieza e desinteresse.

Eu queria bem mais que isso, sabe. Queria ser valorizada como amiga, como conselheira, companheira. Queria mais sorrisos verdadeiros, mais abraços calorosos. Longe de mim cobrar algo de alguém, aceito apenas o que as pessoas puderem me dar, mas tenho um lado sentimental que necessita ser suprido com carinho e consideração. Há alguns dias percebi que os momentos bons não precisam ser pra sempre para serem bonitos; precisam apenas existir! Mas como seria bonito ter um amigo verdadeiro para dividir esses pedacinhos de felicidade comigo.

"And dreamed of para-para-paradise, every time she closed her eyes."
quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nova história


Fez-se necessário policiar-me para não continuar cometendo os mesmos erros, nem prosseguir dando subsídio para os meus medos angustiantes. Não consigo deixar os dias passarem devagar e simplesmente. A ansiedade que carrego me faz imaginar mil e uma suposições e os mais inanimados finais para as minhas histórias. O certo seria esperar com resiliência que os finais acontecessem por si só, mas eu tinha que manipulá-los e tentar deixá-los mais agradáveis. É que ando cansada de ser telespectadora da vida de outrem. Da vida de ontem. Do passado. 

Meu amadurecimento é de longe visível, mas ainda preciso abandonar alguns pequenos vícios, pôr um fim à umas poucas esperanças. Eu sei que é clichê, mas eu sempre espero demais, e expectativas, vocês sabem, em quase 100% dos casos representam esperas frustrantes. Devo deixar o passado ir, e continuar a escrever minhas histórias com as ferramentas que me sobraram, com as cores meio apagadas; mesmo que ninguém leia, mesmo que não tenha mais graça. Sei que com o passar dos meses algumas pessoas podem desejar fazer parte dos personagens da minha história, e devo ser firme ao dizer-lhes que isso não será possível. 

Os papéis estão fechados, não cabe mais ninguém nesses escritos, nesse coração. É que desejo escrever uma história doce, sem espaço para personagens que possam mudar o rumo dos acontecimentos, já pré-determinados em um roteiro na minha mente. Mesmo diferente, ainda sou eu, é a minha vida, e isso é o mais importante agora.

Quer uma dica? Fuja das coisas complicadas! Chegará uma época que tudo o que você mais desejará será uma vida tranqüila e ter a oportunidade de fazer as coisas mais simples, que de tão leves e desinteressadas, te farão feliz. O problema é que você perceberá isso somente quando algumas oportunidades já tiverem se esvaído, quando o sol já tiver se escondido no horizonte. E o que fazer? Se reconstruir, e assim como eu, juntar os restinhos de sol e tentar escrever uma nova história.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Só chove.



Eu assusto as pessoas. Creio não haver outra explicação mais plausível para essa solidão. A minha dependência sufoca, os meus gestos não soam fidedignos, o meu coração fala alto demais dos seus sentimentos e as pessoas acabam ouvindo. Não consigo guardar coisas, nem medos, nem sentimentos. Eles precisam ser extravasados, liberados, vividos. Tá, assumo que minha criancice é insuportável. Eu também sou. Sou chata, egoísta e não tenho amigos verdadeiros. Se é pra ser sincera, vamos ser. Não consigo cultivar amizades porque não me vejo pensando em mais alguém além de mim mesma. Não me imagino cuidando e me preocupando com alguém. E outra, meu passado não é algo do qual me orgulhe: deixei pessoas que me amavam de verdade irem embora, e esperei outras que nunca chegaram. Eu nunca soube o que queria. Quando me interessava por algo, desinteressava logo em seguida. Até hoje não sei o que quero. Gasto todos os minutos do meu dia imaginando uma vida fictícia, com o emprego dos sonhos e morando naquelas casas de filmes americanos. Tempo esse em que eu poderia estar vivendo. Pela primeira vez em 20 anos percebi que não se pode viver só de sonhos, e isso destruiu todo o meu castelo de areia e ilusões outrora construído. Percebi que em alguns casos os sonhos devem ser deixados de lado, e isso é uma pena. É que nem sempre aquilo que tanto sonhamos irá, de fato, nos fazer feliz. E eu sou um caso perdido. Ou não. Talvez só precise ser mais otimista, sorrir mais, deixar de me importar. É que acho as pessoas entediantes demais para tal! Fingir algo que não sou é quase impossível para mim, e saber disso destruiu por completo o meu sonho de ser atriz da Malhação (brincadeira!). Também não consigo decorar nada, esqueço nomes, números de telefones, endereços antigos. Esquecer não tem sido um problema pra mim. Esse silêncio sim. Meu silêncio grita alto demais e isso incomoda as pessoas. Daí as pessoas acordam e lembram de não gostarem de mim. É isso, concordo em gênero, número e grau com aquela música que diz que “se um dia eu pudesse ver meu passado inteiro e fizesse parar de chover nos meus primeiros erros, meu corpo viraria sol, minha mente viraria sol.” 

Mas só chove e chove.
terça-feira, 23 de outubro de 2012

Simplicidade.

Fonte da imagem: We heart it
Os anos passaram e veio a surpresa: era necessário muito menos do que imaginava para ser feliz! Não precisava ser popular, ter um carro do ano, dezenas de amigos, nem que gostassem dela por unanimidade. Para sorrir precisava apenas de uma tarde livre para ler um romance policial qualquer, assistir um bom filme, ou, simplesmente, escrever. Para se sentir especial bastava conseguir arrancar um sorriso de alguém, e julgava ser isso algo relativamente fácil, devido seu lado cômico e atrapalhado de ser. Relembraria o amor que foi bom, e cruzaria os dedos com força, ansiando que ele ouvisse os clamores do seu coração e voltasse.

A genuína felicidade que procurava independia de outra pessoa, mas poderia ser mais doce caso ele estivesse presente. Só era preciso admirar as pequenas coisas, tão dóceis, tão simples, tão puras. Precisaria apenas de abraços confortantes, alguém que lhe dissesse com sinceridade que seus sonhos não eram em vão, que eles estavam apenas aguardando a hora certa para acontecer. Sabe as coisas complicadas, imprecisas? Elas não têm graça!

Dos ensinamentos que aprendeu nos últimos meses, enumerou os seguintes:
1. Não precisava provar nada para ninguém, mostrar que era inteligente, legal, simpática. Apenas seria ela mesma!
2. Não seria aquilo que as pessoas quisessem que fosse. Faria apenas o que amava, e isso a sustentaria.
3. Seus sonhos sempre a levariam para um lugar seguro, mais cedo ou mais tarde. E lhe dariam a força necessária. Só precisava acreditar. E seguia acreditando nisso piamente.

Vivia de sonhos, e era assim que queria viver.
domingo, 21 de outubro de 2012

Arrependimentos.

Fonte da imagem: We heart it

Eu não posso ter me arrependido! Não depois de ter jogado fora todos os papéis de bala que você me dava e riscado o seu nome que estava junto ao meu, acima de uma frase que implorava que aquele amor recebesse alguma benção divina. Eu não admito sentir sua falta depois de ter rasgado aquela carta de duas folhas que você me escreveu, contando todos os sentimentos que nutria por mim, e como a sua vida tinha mudado desde o dia em que eu te aceitei.

Eu não acredito que meu coração dói de vontade de voltar atrás, quando há algum tempo eu recusava todas as suas ligações, e quando não tive coragem de terminar pessoalmente, de uma forma mais digna e menos dolorosa para você. Eu não me conformo de ter recusado aquele seu depoimento no Orkut, no qual me dizia que mesmo estando morando em uma cidade diferente, não conseguia ignorar os chamados que o seu coração fazia por mim. E eu recusei sem dó, e deixei sem resposta. Eu cortei todos os laços, apaguei todos os resquícios de história, estraçalhei com as suas esperanças, e me fechei em um mundo inacessível. E então você seguiu em frente. 

Ontem a noite estava vendo suas fotos pelo facebook do meu irmão. Os seus olhos puxados quando sorri ainda continuam os mesmos, vi que está recém formado em Relações Humanas e rodeado de novos amigos, principalmente garotas. Suas frases de músicas apaixonadas postadas não negam que seu coração não mais me pertence. Você cresceu, evoluiu, está cada vez mais cheio de espiritualidade e inteligência. E eu continuo aquela menina boba e infantil que tinha vergonha de encarar os seus olhos por muito tempo e que julgava não te amar de verdade. A vontade que me deu foi deixar de lado o orgulho infundado e escrever uma mensagem pra ti, ou te adicionar nas redes sociais e dizer que estou com saudades, que sinto falta, que me arrependi, e implorar insistentemente que volte. 

Mas eu não tenho esse direito de interferir na sua vida de novo, e pra falar a verdade, não suportaria ouvir de seus lábios que você já encontrou alguém que te valorize de verdade. Não sou tão forte como você pensa! O que me resta fazer é admirar suas fotos e lembrar que um dia você me amou de verdade, talvez até mais que os dois outros garotos que namorei e que eu era a única que habitava plenamente seus pensamentos e coração. Você me amou sem pedir nada em troca e de uma forma tão pura e eu joguei isso fora, assim como joguei aquela carta tão bonita. Vou lembrar pra sempre que você foi o meu primeiro beijo, e que eu mesma (e a minha escolha mal feita) impedi que fosse o último.

Ps: para entender mais da história, clique aqui: Verdades que doem.

"Eu tô na lanterna dos afogados,
eu tô te esperando
vê se não vai demorar..."
sábado, 20 de outubro de 2012

Salvem-me.



Salvem-me de mim mesma! Das indecisões mesquinhas, das risadas fora de hora, da insegurança disfarçada de autocontrole. Salvem-me do coração adocicado, da vergonha boba de falar ao telefone, das pequenas e grandes inconstâncias. Salvem-me da coleção de ursinhos, da colcha de cama de coelhinho, do colete ortopédico que não uso há tempos. Salvem-me da preguiça de correr por aí, de procurar alguém para assistir filmes comigo, da infantilidade absurda que sempre trago. Salvem-me das milhares de suposições sem fundamento, dos abraços sufocantes, da carência afetiva. Salvem-me da vontade de comer chocolate compulsivamente, de querer sempre comprar centenas de livros com o cartão de crédito, de sair cantando minhas músicas preferidas pelas ruas da cidade. Salvem-me de continuar fazendo listas de coisas que nunca cumpro, da dificuldade em demonstrar o que sinto, da paixão torturante por sorvete. Salvem-me de promessas que nunca serão cumpridas, de imaturidades escondidas, de sorrisos mal interpretados e opcionalmente sufocados. Salvem-me de continuar a escrever cartas que nunca serão lidas, poemas para remetentes desconhecidos e de compor músicas que nunca serão cantadas. Salvem-me da ilusão do amor, do apaixonar depois de um sorriso, do segurar de mãos apertado. Salvem-me da dependência egoísta, dos cíumes camuflados em palavras, do medo de enfrentar o novo. Salvem-me apenas de sonhar demais com coisas que talvez nunca aconteçam, da mistura de nervosismo tolo e alegria saltitante ao receber um novo sms, da solidão de mim.

Todavia penso que se fosse salva de tudo isso, talvez me perdesse de mim mesma, definitiva e irrevogavelmente. E agora?
quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um alguém do passado.

E quando menos espero, junto com o nascer do dia, eis que surge alguém do passado, que tendo estado a milhões de anos luz de distância, resolve aparecer, quieto, meio apagado, mas com a mesma fisionomia de alguns anos atrás. Parece que o tempo se esqueceu de envelhecê-lo, pois ainda possui os mesmos cabelos loiros, os lábios grossos, o sorriso saltitante, o rosto de menino. Os óculos de grau ainda continuam deixando-o desesperadamente encantador, e ao mesmo tempo assustadoramente irresistível. Claro que ele mudou. Eu mudei. Não somos os mesmos adolescentes que saiam para dançar juntos, sob a luz da lua, e se despediam com uma infinidade de beijos tímidos. Não possuo mais os cabelos tão longos, nem a mesma disposição para dançar, ele não ficou tão alto, mas ainda continua a roer as unhas. Confesso que fico meio intrigada com a forma como nossos olhos têm se observado. É como se quisessem dizer, através de algum sinal ilegível, que foi bonito, que marcou de certa forma, que mesmo que nunca mais toquemos no assunto, aquilo existiu e não foi completamente esquecido. O tempo esqueceu de nos fazer esquecer. A gente viveu isso, discreta e rapidamente, mas marcou. Ele não foi o meu primeiro amor, nem nunca serviu de inspiração para um texto meu, mas a forma como seus braços me seguravam era algo digno de ser eternizado. Ainda que eu não lembre seu sobrenome nem a idade que tem hoje, ele sempre estava na minha lista de coisas boas, nos sonhos doces que eu tinha vez ou outra. Ainda sei de cor a música preferida dele, recordo dos nossos recreios no colégio, a forma como o sol iluminava aqueles olhos castanhos. Aquela volta repentina não altera o que passou e nem aquilo que virá, não fará transparecer sentimentos nem mudará o rumo das nossas escolhas. Porém servirá para fazer lembrar que ainda existe perdido por aí, escrito em folhas brancas e imutáveis, capítulos de um passado bonito.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Mudanças.


Estava eu aqui lendo umas páginas antigas do blog, e encontrei um textinho onde eu falo sobre mim, há três anos. Achei engraçado e isso me fez pensar em mudanças. Como a gente muda, não é verdade? Como amadurecemos com o decorrer dos meses, dos anos! Como vamos descobrindo um pouco mais da vida a cada dia que passa! Tudo vai ficando claro, nossos olhos vão se abrindo, passamos a notar as coisas que verdadeiramente importam, e dar menos atenção para coisas bobas e desnecessárias. Percebemos que não importa a opinião das pessoas, e sim a nossa! Amadurecemos, compreendemos o princípio da aceitação, do silenciar. Bem, comigo é assim. Mas é sempre bom lembrar de como éramos, e perceber o quanto crescemos, tanto como pessoas quanto em tamanho e idade. Mas tudo o que ficou para trás teve o seu papel na nossa história, serviu como um tijolinho para construir quem somos hoje. Não devemos ter vergonha daquilo que fomos, afinal são nossas lembranças, nossas vidas! Abraçemo-as!
quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Eu.




Gosto daquilo que foge da rotina: novos rostos, novos sorrisos, novos horizontes! Gosto de estar em ambientes que nunca estive antes, e apreciar os detalhes mais simples que muitas vezes passam despercebidos. Gosto mesmo é de viajar mundo afora, nem que seja pra cidade ao lado. A verdade é que sonho muito! Sonho em ter uma casa enorme e aconchegante, que nem aquelas dos filmes americanos, com vários quartos, lareira, um jardim imenso, com grandes árvores. 

Desejo ser reconhecida (e me sentir realizada) por fazer bem aquilo que amo. Desejo ter paz de coração e espírito todos os dias. Não quero magoar ninguém, pelo contrário, quero descobrir o que cada pessoa guarda de melhor em si. Cansei dessas competições bobas pra ver quem é melhor. Somos todos iguais (tão fortes e ao mesmo tempo tão frágeis)! 

Desejo encontrar alguma pessoa no mundo com a qual eu consiga sempre ser eu mesma, apesar de todos os medos e defeitos que isso possa ter. Alguém que me mostre o caminho reto quando eu estiver me desviando dele. Alguém que nunca me permita perder minha essência, que me convide pra conversar em alguma tarde monótona, em uma lanchonete qualquer, e ache graça das minhas piadas nada engraçadas. Que tenha gosto em apreciar as coisas simples.

Quero conviver com pessoas que sejam fiéis àquilo que sentem, que não escondam sentimentos bonitos nem inventem sentimentos inexistentes (pessoas verdadeiras, por favor)! Pessoas com atitude, com pensamento próprio, sem falsidade nem joguinhos. Quero coisas simples e pessoas doces, de alma leve. Pessoas que convivam comigo por livre e espontânea vontade, que não irão mudar quando eu deixar de atender o telefone por preguiça (odeio falar ao telefone!), que aguentem quando eu inventar de cantarolar por aí, que me presenteiem com livros nos meus aniversários e me deem um choque de realidade quando eu estiver fantasiando demais.

Pessoas que gostem de abraçar (amo abraçar!), que sejam sinceras e que topem uma praia no domingo de manhã. Pessoas que encarem uma pizza de vez em quando, sem paranoias em relação à dieta. Pessoas que me levem a ser alguém melhor. Mas acima de tudo: necessito de pessoas que não desistam de mim, mesmo quando eu pensar em desistir de tudo.

Se eu entendesse antes que a felicidade verdadeira vem das coisas mais simples, hoje eu seria mais eu, e menos solidão. Mas eu não vou perder a fé.